Dr. Pedro Ferrari
Oftalmologia · Especialista em Glaucoma

Capítulo 03

Como é o diagnóstico

Não existe um único exame que isoladamente confirme o glaucoma. O diagnóstico é construído pelo oftalmologista combinando avaliação clínica e exames complementares.

Visão geral

O processo diagnóstico costuma envolver dois momentos:

  • Avaliação clínica em consulta — incluindo história, exame oftalmológico completo, medida da pressão e avaliação do nervo óptico
  • Exames complementares — solicitados conforme a suspeita: campo visual, OCT, gonioscopia, paquimetria, entre outros

A integração dessas informações permite confirmar o diagnóstico, classificar o tipo de glaucoma e definir o plano de tratamento.

A consulta oftalmológica

Na consulta, o médico investiga aspectos que podem aumentar ou reduzir a suspeita de glaucoma:

  • História familiar — parentes de primeiro grau com glaucoma elevam o risco
  • Histórico médico — diabetes, doenças cardiovasculares, uso de corticoides, traumas oculares prévios
  • Sintomas — embora muitas vezes ausentes na fase inicial
  • Exame oftalmológico geral — refração, exame externo, biomicroscopia
  • Avaliação do nervo óptico à fundoscopia — sinal fundamental
  • Medida da pressão intraocular

Tonometria — medida da pressão intraocular

A pressão dentro do olho é medida por um exame chamado tonometria. É rápido, indolor e fundamental.

Tonometria de aplanação (Goldmann)

Considerada o padrão-ouro. Após a aplicação de um colírio anestésico e um corante (fluoresceína), o oftalmologista encosta delicadamente o aparelho na córnea para medir a pressão. O exame dura segundos e não causa desconforto.

Tonometria de não-contato (de sopro)

Usa um jato de ar para medir a pressão sem contato. É comum em check-ups, mas considerado menos preciso que a aplanação.
Uma medida isolada de pressão pode não refletir o quadro real — a pressão varia ao longo do dia. Pode ser necessário repetir a medida em momentos diferentes ou solicitar uma curva tensional (várias medidas no mesmo dia).

Avaliação do nervo óptico

O exame do nervo óptico (fundoscopia) é uma das partes mais importantes da consulta. O oftalmologista avalia:

  • Escavação do disco óptico — uma "depressão" central. Quando aumentada ou assimétrica entre os olhos, é sinal de glaucoma
  • Coloração e contorno da rima neurorretiniana (parte saudável do nervo)
  • Presença de hemorragias na borda do disco
  • Alterações da camada de fibras nervosas peridiscal

Esse exame pode ser feito com oftalmoscópio direto ou indireto e também é registrado por imagens de fundo (retinografia) para comparação ao longo do tempo.

Gonioscopia

Exame que permite visualizar diretamente o ângulo entre a íris e a córnea — onde está a estrutura de drenagem do humor aquoso.

É feito com uma lente especial (gonioscópio) sobre a córnea, com anestesia tópica. Permite classificar o glaucoma em ângulo aberto, fechado ou estreito, e detectar alterações como sinéquias e neovasos.

Paquimetria

Mede a espessura central da córnea. Esse dado é importante porque a tonometria pode superestimar ou subestimar a pressão real conforme a espessura corneana:

  • Córnea fina → pressão real pode ser maior do que a medida
  • Córnea espessa → pressão real pode ser menor do que a medida

Além disso, córnea fina é, por si só, um fator de risco independente para progressão do glaucoma.

Campo visual computadorizado

Também chamado de perimetria. Mapeia a sensibilidade visual em diferentes pontos do campo visual. É o exame que mostra onde e quanto o glaucoma já comprometeu a visão funcional.

Como é feito

O paciente fica com a cabeça apoiada em um aparelho parecido com uma cuba branca, fixa o olhar em um ponto central, e aperta um botão sempre que percebe um pequeno ponto de luz piscando em qualquer parte do campo. Cada olho é testado separadamente. O exame dura cerca de 5 a 10 minutos por olho.

O que detecta

  • Áreas com sensibilidade reduzida ou ausentes (escotomas)
  • Padrões característicos de glaucoma — como o escotoma arqueado (de Bjerrum) e o degrau nasal
  • Comparação com exames anteriores para detectar progressão

OCT — Tomografia de Coerência Óptica

Exame de imagem moderno que permite medir a espessura das camadas da retina e do nervo óptico com altíssima precisão. Não tem contato e é rápido.

No glaucoma, o OCT mede principalmente:

  • A camada de fibras nervosas peripapilares
  • A camada de células ganglionares da mácula
  • A escavação e a área da rima do nervo óptico

Essas medidas detectam perdas estruturais antes mesmo de aparecerem alterações no campo visual — útil para diagnóstico precoce e monitoramento de progressão.

Com que frequência repetir os exames

Depende do estágio da doença, do nível de pressão e da estabilidade do quadro. Em linhas gerais:

  • Suspeita de glaucoma ou doença leve — controle em geral a cada 6 meses
  • Glaucoma estabilizado — controle a cada 6 a 12 meses, com exames complementares periódicos
  • Glaucoma instável ou avançado — controle mais frequente, com individualização do plano
Esses são parâmetros gerais. A frequência ideal é definida em conjunto com seu oftalmologista, conforme o seu caso.

Tem dúvidas sobre seu caso?

Agende uma avaliação com o Dr. Pedro Ferrari, especialista em glaucoma em Campinas.

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Créditos das ilustrações: Imagens da anatomia ocular e do sistema de drenagem cortesia da World Glaucoma Association, utilizadas com autorização. Diagramas dos tipos de glaucoma cedidos por Servier Medical Art, licenciados sob Creative Commons Attribution 3.0. Demais ilustrações e diagramas SVG são originais deste site.