Dr. Pedro Ferrari
Oftalmologia · Especialista em Glaucoma

Capítulo 04

Opções de tratamento

O objetivo do tratamento é reduzir a pressão intraocular a um nível seguro para preservar o nervo óptico e impedir a progressão da doença.

Princípios gerais

Existem três grandes linhas de tratamento, frequentemente combinadas: tratamento clínico (colírios), tratamento a laser e tratamento cirúrgico.

A escolha depende do tipo de glaucoma, do estágio da doença, do nível de pressão atual, da pressão-alvo desejada, da idade, das condições gerais de saúde e da preferência do paciente. Não há um tratamento único válido para todos.

Importante: nenhum tratamento cura o glaucoma. O objetivo é preservar o que ainda existe e impedir que a doença avance.

Tratamento clínico — colírios

Em adultos, o tratamento normalmente começa com colírios hipotensores oculares. São medicamentos que reduzem a pressão por dois mecanismos: diminuindo a produção do humor aquoso ou aumentando a sua drenagem.

Principais classes

  • Análogos da prostaglandina — aumentam a drenagem do humor aquoso. Geralmente usados uma vez ao dia, à noite. Costumam ser a primeira escolha pela eficácia e comodidade.
  • Betabloqueadores — reduzem a produção do humor aquoso. Em geral 1 a 2 vezes ao dia. Cuidados especiais em pacientes com asma, DPOC ou problemas cardíacos.
  • Inibidores da anidrase carbônica — também reduzem a produção do humor aquoso.
  • Agonistas alfa-adrenérgicos — reduzem produção e aumentam drenagem.
  • Inibidores da Rho-quinase — classe mais recente que melhora a drenagem trabecular.
  • Combinações fixas — quando uma única classe não é suficiente, podem ser usados colírios que combinam duas medicações em um só frasco.

A adesão é o fator mais importante

Estudos consistentes mostram que a maior causa de progressão do glaucoma em pacientes em tratamento é a adesão irregular: esquecer de pingar o colírio, parar quando acaba o frasco, usar em horários diferentes.

Algumas estratégias que ajudam:

  • Associar o colírio a uma rotina diária (escovar os dentes, deitar para dormir)
  • Configurar lembretes no celular
  • Pedir auxílio de um familiar, especialmente em idosos
  • Não interromper o tratamento mesmo se "estiver tudo bem" — o glaucoma é silencioso
  • Comunicar ao oftalmologista qualquer efeito colateral — quase sempre há alternativas

Como pingar corretamente

  1. Lave bem as mãos.
  2. Incline a cabeça para trás e puxe levemente a pálpebra inferior para baixo formando uma "bolsinha".
  3. Deixe cair uma única gota dentro da bolsinha, sem encostar o frasco no olho ou cílio.
  4. Feche o olho suavemente por 1 a 2 minutos, sem apertar.
  5. Pressione levemente o canto interno do olho com o dedo (canto próximo ao nariz) — reduz absorção sistêmica.
  6. Se usar mais de um colírio, espere 5 minutos entre eles.

Tratamento a laser

Procedimentos a laser são ambulatoriais (feitos em consultório), em geral indolores, com tempo de recuperação curto. Podem ser usados como tratamento inicial, como complemento aos colírios ou em substituição a eles.

Trabeculoplastia a laser (SLT / ALT)

Indicada principalmente para o glaucoma de ângulo aberto. O laser é aplicado na malha trabecular — estrutura responsável pela drenagem — para melhorar a saída do humor aquoso e reduzir a pressão intraocular.

É feito em consultório, dura cerca de 5 a 10 minutos por olho, e o paciente vai para casa logo depois. O efeito tende a durar de meses a anos e o procedimento pode ser repetido.

Iridotomia a laser

Indicada para o glaucoma de ângulo fechado e para olhos com ângulo estreito (de risco). O laser cria uma pequena abertura na íris que reequilibra a pressão entre as câmaras anterior e posterior, aliviando ou prevenindo o fechamento do ângulo.

Frequentemente é feita de forma preventiva em olhos com ângulo estreito mas ainda sem dano glaucomatoso.

Iridoplastia a laser

Em casos específicos de configuração angular, ajuda a abrir o ângulo iridocorneano remodelando a íris periférica.

Tratamento cirúrgico

A cirurgia é indicada quando o tratamento clínico e/ou a laser não conseguem controlar a pressão intraocular, ou quando há progressão da doença apesar do tratamento. Há diferentes técnicas, escolhidas caso a caso.

Trabeculectomia

Cirurgia clássica de filtração e ainda considerada padrão-ouro em muitos casos. Cria uma via alternativa de drenagem do humor aquoso para sob a conjuntiva, formando uma pequena bolha de filtração (bleb) que mantém a pressão controlada.

É feita em centro cirúrgico, sob anestesia local, e exige acompanhamento próximo no pós-operatório. Quando bem-sucedida, pode reduzir significativamente — ou até eliminar — a necessidade de colírios.

Implantes de drenagem (válvulas e tubos)

Pequenos dispositivos implantados no olho que conduzem o humor aquoso para um reservatório posterior. Indicados especialmente em:

  • Glaucomas refratários (que não respondem)
  • Glaucomas neovasculares
  • Glaucomas pós-trauma
  • Casos em que a trabeculectomia tem maior risco de falhar

Cirurgias minimamente invasivas (MIGS)

Grupo amplo de procedimentos mais recentes, com incisões pequenas, recuperação mais rápida e perfil de segurança favorável. São considerados em casos selecionados, com glaucoma leve a moderado, frequentemente combinados com cirurgia de catarata.

As reduções de pressão tendem a ser moderadas, e a indicação depende do tipo de glaucoma e do estágio da doença.

Procedimentos cicloablativos

Intervenções no corpo ciliar para reduzir a produção de humor aquoso. Indicadas em geral em glaucomas avançados, refratários ou em olhos com pouca expectativa visual.

O acompanhamento contínua sendo essencial

Mesmo após cirurgia ou laser bem-sucedidos, o glaucoma não está curado. O acompanhamento periódico permite:

  • Confirmar que a pressão se mantém na faixa-alvo
  • Detectar progressão precoce caso ela ocorra
  • Ajustar o tratamento conforme necessário
  • Identificar precocemente eventuais complicações
A combinação tratamento + adesão + acompanhamento é o que faz a diferença a longo prazo. Glaucoma controlado e estável é compatível com uma vida normal.

Tem dúvidas sobre seu caso?

Agende uma avaliação com o Dr. Pedro Ferrari, especialista em glaucoma em Campinas.

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Créditos das ilustrações: Imagens da anatomia ocular e do sistema de drenagem cortesia da World Glaucoma Association, utilizadas com autorização. Diagramas dos tipos de glaucoma cedidos por Servier Medical Art, licenciados sob Creative Commons Attribution 3.0. Demais ilustrações e diagramas SVG são originais deste site.