Capítulo 04
Opções de tratamento
O objetivo do tratamento é reduzir a pressão intraocular a um nível seguro para preservar o nervo óptico e impedir a progressão da doença.
Princípios gerais
Existem três grandes linhas de tratamento, frequentemente combinadas: tratamento clínico (colírios), tratamento a laser e tratamento cirúrgico.
A escolha depende do tipo de glaucoma, do estágio da doença, do nível de pressão atual, da pressão-alvo desejada, da idade, das condições gerais de saúde e da preferência do paciente. Não há um tratamento único válido para todos.
Tratamento clínico — colírios
Em adultos, o tratamento normalmente começa com colírios hipotensores oculares. São medicamentos que reduzem a pressão por dois mecanismos: diminuindo a produção do humor aquoso ou aumentando a sua drenagem.
Principais classes
- Análogos da prostaglandina — aumentam a drenagem do humor aquoso. Geralmente usados uma vez ao dia, à noite. Costumam ser a primeira escolha pela eficácia e comodidade.
- Betabloqueadores — reduzem a produção do humor aquoso. Em geral 1 a 2 vezes ao dia. Cuidados especiais em pacientes com asma, DPOC ou problemas cardíacos.
- Inibidores da anidrase carbônica — também reduzem a produção do humor aquoso.
- Agonistas alfa-adrenérgicos — reduzem produção e aumentam drenagem.
- Inibidores da Rho-quinase — classe mais recente que melhora a drenagem trabecular.
- Combinações fixas — quando uma única classe não é suficiente, podem ser usados colírios que combinam duas medicações em um só frasco.
A adesão é o fator mais importante
Estudos consistentes mostram que a maior causa de progressão do glaucoma em pacientes em tratamento é a adesão irregular: esquecer de pingar o colírio, parar quando acaba o frasco, usar em horários diferentes.
Algumas estratégias que ajudam:
- Associar o colírio a uma rotina diária (escovar os dentes, deitar para dormir)
- Configurar lembretes no celular
- Pedir auxílio de um familiar, especialmente em idosos
- Não interromper o tratamento mesmo se "estiver tudo bem" — o glaucoma é silencioso
- Comunicar ao oftalmologista qualquer efeito colateral — quase sempre há alternativas
Como pingar corretamente
- Lave bem as mãos.
- Incline a cabeça para trás e puxe levemente a pálpebra inferior para baixo formando uma "bolsinha".
- Deixe cair uma única gota dentro da bolsinha, sem encostar o frasco no olho ou cílio.
- Feche o olho suavemente por 1 a 2 minutos, sem apertar.
- Pressione levemente o canto interno do olho com o dedo (canto próximo ao nariz) — reduz absorção sistêmica.
- Se usar mais de um colírio, espere 5 minutos entre eles.
Tratamento a laser
Procedimentos a laser são ambulatoriais (feitos em consultório), em geral indolores, com tempo de recuperação curto. Podem ser usados como tratamento inicial, como complemento aos colírios ou em substituição a eles.
Trabeculoplastia a laser (SLT / ALT)
Indicada principalmente para o glaucoma de ângulo aberto. O laser é aplicado na malha trabecular — estrutura responsável pela drenagem — para melhorar a saída do humor aquoso e reduzir a pressão intraocular.
É feito em consultório, dura cerca de 5 a 10 minutos por olho, e o paciente vai para casa logo depois. O efeito tende a durar de meses a anos e o procedimento pode ser repetido.
Iridotomia a laser
Indicada para o glaucoma de ângulo fechado e para olhos com ângulo estreito (de risco). O laser cria uma pequena abertura na íris que reequilibra a pressão entre as câmaras anterior e posterior, aliviando ou prevenindo o fechamento do ângulo.
Frequentemente é feita de forma preventiva em olhos com ângulo estreito mas ainda sem dano glaucomatoso.
Iridoplastia a laser
Tratamento cirúrgico
A cirurgia é indicada quando o tratamento clínico e/ou a laser não conseguem controlar a pressão intraocular, ou quando há progressão da doença apesar do tratamento. Há diferentes técnicas, escolhidas caso a caso.
Trabeculectomia
Cirurgia clássica de filtração e ainda considerada padrão-ouro em muitos casos. Cria uma via alternativa de drenagem do humor aquoso para sob a conjuntiva, formando uma pequena bolha de filtração (bleb) que mantém a pressão controlada.
É feita em centro cirúrgico, sob anestesia local, e exige acompanhamento próximo no pós-operatório. Quando bem-sucedida, pode reduzir significativamente — ou até eliminar — a necessidade de colírios.
Implantes de drenagem (válvulas e tubos)
Pequenos dispositivos implantados no olho que conduzem o humor aquoso para um reservatório posterior. Indicados especialmente em:
- Glaucomas refratários (que não respondem)
- Glaucomas neovasculares
- Glaucomas pós-trauma
- Casos em que a trabeculectomia tem maior risco de falhar
Cirurgias minimamente invasivas (MIGS)
Grupo amplo de procedimentos mais recentes, com incisões pequenas, recuperação mais rápida e perfil de segurança favorável. São considerados em casos selecionados, com glaucoma leve a moderado, frequentemente combinados com cirurgia de catarata.
As reduções de pressão tendem a ser moderadas, e a indicação depende do tipo de glaucoma e do estágio da doença.
Procedimentos cicloablativos
O acompanhamento contínua sendo essencial
Mesmo após cirurgia ou laser bem-sucedidos, o glaucoma não está curado. O acompanhamento periódico permite:
- Confirmar que a pressão se mantém na faixa-alvo
- Detectar progressão precoce caso ela ocorra
- Ajustar o tratamento conforme necessário
- Identificar precocemente eventuais complicações
Tem dúvidas sobre seu caso?
Agende uma avaliação com o Dr. Pedro Ferrari, especialista em glaucoma em Campinas.
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