Capítulo 02
Tipos de glaucoma
Existem várias formas de glaucoma — cada uma com mecanismo próprio, sintomas distintos e abordagem terapêutica específica.
Os dois principais grupos
A distinção fundamental é entre glaucoma de ângulo aberto e glaucoma de ângulo fechado. A diferença está em como o ângulo da câmara anterior — a região por onde o humor aquoso é drenado — se apresenta.

Ângulo aberto
O ângulo entre íris e córnea está anatomicamente aberto, mas a drenagem está desacelerada. Tipo mais comum, evolui de forma lenta e indolor.

Ângulo fechado
A íris bloqueia mecanicamente o ângulo, impedindo a drenagem. Pode ser agudo (emergência) ou crônico.
Glaucoma primário de ângulo aberto
É o tipo mais comum, responsável por cerca de 70% dos casos. Surge tipicamente após os 40 anos e progride de forma lenta, indolor e silenciosa.
Características
- Ângulo iridocorneano aberto à gonioscopia
- Pressão intraocular elevada na maioria dos casos (mas existe a variante de pressão normal)
- Lesão característica do nervo óptico (escavação)
- Perda do campo visual começa pela periferia
- Bilateral, mas frequentemente assimétrico
Como suspeitar
Glaucoma de pressão normal
Forma especial em que o nervo óptico apresenta lesão típica de glaucoma mesmo com a pressão intraocular dentro do considerado normal (até 21 mmHg).
Pode envolver fatores vasculares (alterações de fluxo sanguíneo ao nervo óptico), maior susceptibilidade do nervo óptico a qualquer nível de pressão, ou fatores ainda em estudo. O tratamento, mesmo assim, costuma envolver redução da pressão.
Glaucoma de ângulo fechado
Ocorre quando a íris obstrui mecanicamente o ângulo de drenagem. Pode se apresentar de duas formas principais:
Agudo — emergência oftalmológica
Quadro súbito de obstrução completa do ângulo. Os sintomas são intensos e exigem atendimento imediato:
- Dor ocular intensa, geralmente unilateral
- Visão borrada ou embaçada
- Halos coloridos ao redor de luzes (efeito do edema corneano)
- Olho vermelho
- Náuseas e vômitos
- Pupila médio-dilatada e pouco reativa
Crônico
Forma mais sutil, em que o ângulo se fecha de maneira parcial e progressiva. Os sintomas podem ser ausentes ou apenas leves episódios de visão borrada e halos noturnos. O tratamento pode envolver iridotomia a laser preventiva.
Quem tem maior risco
- Pessoas com câmara anterior anatomicamente rasa
- Hipermetropia alta
- Pessoas de origem asiática (incidência maior)
- Idade mais avançada (cristalino fica mais espesso)
- Sexo feminino (incidência um pouco maior)
Glaucoma congênito
Presente desde o nascimento ou que se manifesta nos primeiros anos de vida. Resulta de um desenvolvimento anormal do sistema de drenagem.
Sinais que devem chamar atenção dos pais:
- Olhos visivelmente aumentados (buftalmia)
- Lacrimejamento excessivo, frequente
- Sensibilidade anormal à luz (fotofobia)
- Córnea com aspecto opaco ou esbranquiçada
- Bebê que aperta os olhos com frequência
O diagnóstico deve ser imediato e o tratamento geralmente é cirúrgico. Quanto mais cedo iniciar, maior a chance de preservar a visão.
Glaucoma juvenil
Forma de ângulo aberto que se manifesta geralmente entre os 10 e os 30 anos de idade. Frequentemente tem componente genético forte. A pressão intraocular costuma estar bastante elevada e o tratamento pode exigir cirurgia precoce.
Glaucomas secundários
Quando o glaucoma surge como consequência de outra condição. O tratamento envolve, sempre que possível, controlar a causa de base — além do controle da pressão.
Por trauma ocular
Por uso de corticoides
Inflamatório (uveítico)
Neovascular (associado a diabetes)
Pseudoexfoliativo e pigmentar
Tem dúvidas sobre seu caso?
Agende uma avaliação com o Dr. Pedro Ferrari, especialista em glaucoma em Campinas.
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